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Usar depoimento, nome ou imagem de paciente em divulgação profissional não é permitido pelas normas de publicidade da psicologia, mesmo com autorização do paciente. A forma como esse tipo de prova social funciona em outros negócios simplesmente não se aplica aqui, e entender o porquê ajuda a não cair nessa armadilha por engano.
O que costuma estar vedado
Compartilhar mensagem de agradecimento, print de conversa, vídeo ou relato de quem já foi atendido, mesmo que a intenção seja só mostrar um resultado real e positivo, esbarra nessa vedação. A Resolução CFP nº 011/2000, que trata do oferecimento de serviços e produtos ao público, é a norma historicamente associada a esse tema nas orientações de conselhos regionais consultadas para este texto. Não citamos aqui o número exato do artigo porque não conseguimos confirmar isso com segurança contra a fonte oficial limpa até o fechamento deste texto, então preferimos manter a informação em nível de resolução, não de artigo específico.
“Mas o paciente autorizou”, por que isso não muda a regra
Esse é o ponto que mais gera confusão. Em publicidade de produto comum, a autorização de quem dá o depoimento resolve qualquer questão de uso de imagem ou fala. Na divulgação de serviço psicológico, a vedação não é sobre direito de imagem apenas, é sobre a natureza da relação entre psicólogo e paciente, marcada por vulnerabilidade e por um vínculo de confiança que a norma trata como algo que precisa de proteção, mesmo quando as duas partes concordam com a exposição.
Por que essa regra existe
Divulgar um relato de atendimento, mesmo positivo, expõe indiretamente que aquela pessoa está ou esteve em terapia, informação que ela pode não querer associada ao próprio nome publicamente, mesmo tendo topado no momento do pedido. Existe também o risco de o depoimento funcionar como promessa implícita de resultado (“comigo também vai funcionar assim”), o que já é vedado por outro motivo, tratado no post sobre erros comuns de divulgação desta categoria.
O que fazer no lugar de depoimento
Prova de credibilidade não precisa vir de relato de paciente. Formação acadêmica, especializações, tempo de atuação, participação em eventos da área, e principalmente conteúdo educativo que mostre domínio do assunto, tudo isso constrói confiança sem depender de expor quem já foi atendido. Um psicólogo que publica, com constância, conteúdo útil sobre temas da própria área constrói autoridade de um jeito permitido e, no fim, mais sustentável do que depender de depoimento pontual.
Isso vale pra avaliação no Google também?
Essa é uma zona um pouco diferente: avaliação escrita espontaneamente pelo próprio paciente no Google, sem ter sido solicitada como peça de divulgação, tem uma natureza distinta de um depoimento usado ativamente numa peça publicitária. Ainda assim, incentivar essa prática de forma ativa é uma área que vale conversar com o CRP da sua região antes de adotar como rotina, esse texto não é o suficiente pra decidir isso sozinho.
Este texto não substitui orientação profissional
As informações aqui vêm de fontes públicas do CFP e de conselhos regionais, sem validação por profissional especialista em ética até o momento desta publicação. Para o texto oficial e atualizado, consulte site.cfp.org.br.
Perguntas frequentes
Posso usar um depoimento se eu esconder o nome e o rosto do paciente?
Mesmo anonimizado, um relato de atendimento usado como prova social de divulgação profissional cai na mesma vedação, porque o problema central não é só identificação, é o uso do relato de atendimento como peça publicitária.
E se o próprio paciente publicar um elogio nas redes dele, sem eu pedir?
Isso foge do controle direto do profissional, mas compartilhar, republicar ou dar destaque ativo a esse conteúdo na própria divulgação pode ser interpretado como uso da mesma forma vedada.
Isso vale só pra rede social, ou pra site institucional também?
Vale para qualquer peça de divulgação profissional, incluindo site, sem distinção de canal.
Veja todos os guias de Como não errar no CFP


