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Um post sobre “ansiedade: cinco dicas” serve para qualquer pessoa e, por isso, dificilmente deixa alguém com a sensação de que foi escrito para ela. Um post sobre a noite de domingo, quando o peito aperta ao pensar na segunda-feira, fala de uma cena. Quem já viveu a cena reconhece. A pergunta “quem vai se sentir visto neste post?” empurra o tema da lista genérica para a cena.
Por que a pergunta funciona como filtro
Ela força uma escolha antes de escrever: um leitor, uma situação, uma reação esperada. Sem essa escolha, o texto tenta falar com todo mundo e acaba sem endereço. A hipótese, que vale testar no seu perfil, é que posts com uma cena reconhecível geram mais salvamentos e comentários do que posts de lista.
No Instagram da Zelotes há um indício, sem valor estatístico. Entre os 50 posts de junho e julho, o de maior alcance (108 pessoas) falava de uma situação concreta: o psicólogo que passa horas escrevendo uma legenda perfeita e apaga antes de publicar. A média de alcance foi de 22,7 em junho e 53 em julho. É um post em uma conta pequena; use como pista, não como prova.
O filtro em cinco perguntas
Responda por escrito, antes de abrir o editor. Se alguma resposta ficar vaga, o post ainda não está pronto.
- Quem? Descreva a pessoa em uma frase: “adulto que trabalha em home office e não consegue desligar à noite”. Se a frase serve para qualquer pessoa, volte.
- Em que momento? Escolha uma cena com hora e lugar: domingo à noite, fila do mercado, depois de uma reunião.
- O que ela vai pensar ao ler? O ideal é “isso é comigo”, não “interessante”. Escreva a frase que você espera ouvir.
- O que ela faz depois? Salvar, comentar, mandar para alguém, ir ao seu perfil ou conhecer o seu trabalho. Um post com cinco pedidos não pede nada.
- Qual é a primeira linha? Se for a que dá nome à cena, ótimo. Se for um título genérico, reescreva.
Cuidados com a cena
A cena deve vir da sua experiência de escuta, não de um paciente específico. Se o exemplo nasceu de um atendimento, não use nada que identifique a pessoa, nem trocando o nome ou a cidade. Confira as orientações do seu CRP sobre sigilo e divulgação antes de publicar. Em caso de dúvida, invente uma situação composta e deixe claro que é um exemplo.
Cuidado também com a promessa. Descrever uma cena não equivale a prometer que o atendimento resolve o que ela mostra.
Um exemplo antes e depois
Antes: “5 sinais de que você precisa de terapia”. O título serve para todos e para ninguém, e ainda traz um diagnóstico implícito.
Depois: “Domingo, 21h. Você fecha o notebook e já sente a segunda-feira chegando. Se isso soa familiar, continue lendo.” Há leitor, momento e reação esperada. O post pode terminar convidando a pessoa a salvar o texto ou a contar nos comentários como é o domingo dela.
Como encaixar no planejamento do mês
O filtro funciona melhor quando vira um campo da sua planilha de conteúdo: ao lado do tema, uma coluna “quem se sente visto”. O texto Como planejar o mês de conteúdo sem abrir o Instagram todo dia mostra como montar o calendário. Para conferir o resto da presença do consultório, use o Checklist de presença online do consultório.
Perguntas frequentes
Isso serve para qualquer tipo de post?
Serve melhor para posts de conteúdo. Avisos práticos, como mudança de horário, dispensam o filtro.
Preciso escolher um leitor só?
Para cada post, sim. Ao longo do mês, você pode ter vários leitores e cenas. O que o filtro evita é um post sem ninguém em mente.
E se eu não tiver cenas para contar?
Comece pelas perguntas que você ouve na primeira conversa com quem chega. Elas já trazem situação, momento e dúvida, sem precisar de caso clínico.
Como saber se o filtro está funcionando?
Compare os posts feitos com o filtro e os sem, olhando salvamentos, comentários e visitas ao perfil por pelo menos um mês. Com poucos posts, trate o resultado como pista.
Sobre o autor: Rafael – Fundador da Zelotes
Fundador da Zelotes, agência de marketing digital exclusiva para psicólogos.
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